Luto na música: cantor Netinho morre aos 60 anos após batalha contra câncer no sistema linfático
Por Redação
O cenário musical brasileiro perdeu uma de suas vozes mais emblemáticas neste dia 13. O cantor baiano Netinho faleceu aos 60 anos de idade, em decorrência de complicações provocadas por um linfoma raro. O artista enfrentava a reincidência do câncer desde o início do ano e mantinha um tratamento intensivo focado na realização de um transplante autólogo de medula óssea.
O diagnóstico de câncer no sistema linfático havia sido identificado inicialmente no começo de 2025, quando o intérprete deu entrada em uma unidade hospitalar de Salvador com severas dores na região lombar e limitações de mobilidade. Após responder positivamente à primeira etapa do tratamento, o quadro clínico voltou a se agravar nos primeiros meses deste ano, exigindo acompanhamento médico especializado sem necessidade de internação contínua.
Nas últimas semanas de vida, o cantor optou pelo recolhimento e pelo distanciamento das redes sociais para concentrar esforços em sua recuperação. Apesar do afastamento dos palcos — cuja última apresentação ao vivo ocorreu em outubro de 2025 —, Netinho trabalhava nos bastidores no desenvolvimento de uma nova turnê autoral que combinaria música e tecnologia de inteligência artificial para celebrar sua trajetória profissional.
Natural de Santo Antônio de Jesus, no interior da Bahia, o artista despontou no cenário nacional no final da década de 1980 ao assumir os vocais da Banda Beijo, emplacando sucessos do Carnaval. Em carreira solo, consolidou-se como um dos maiores puxadores de trio elétrico do país e alcançou projeção internacional nos anos 1990 com a canção "Milla", que ganhou versões em múltiplos idiomas. Ele também foi pioneiro ao levar a estrutura de um trio elétrico para apresentações fora do Brasil durante a Copa do Mundo de 1990, na Itália.
A vida pública do músico também foi marcada por desafios na saúde e momentos de forte repercussão na imprensa. Em 2013, permaneceu internado em estado grave por complicações decorrentes do uso de anabolizantes e esteroides. Em seus últimos anos, envolveu-se em debates políticos e disputou uma vaga para a Câmara dos Deputados em 2022.
O falecimento do cantor encerra um capítulo marcante da história da Axé Music, deixando um legado de clássicos que ajudaram a difundir o ritmo baiano por todo o território nacional e no exterior.

