Justiça do Acre mantém condenação de pastores por morte e maus-tratos contra sobrinha de 2 anos
O casal de pastores Tanes José Antônio Lima de Almeida e Elione Sampaio Jerônimo teve mantida pela Justiça do Acre a condenação a 5 anos e 4 meses de prisão em regime semiaberto pela morte e pelos maus-tratos contra a sobrinha Yasmin de Almeida Santos, que tinha 2 anos e 9 meses à época dos fatos, em 2015. A criança morava com os tios, três irmãos e seis primos no bairro Jardim Tropical, em Rio Branco, e, segundo a decisão judicial, foi submetida de forma reiterada a agressões e tratamento desumano, que resultaram em politraumatismo e esganadura apontados em laudo cadavérico.
Os autos descrevem que Yasmin e os irmãos foram retirados da mãe biológica, que tinha problemas com drogas e não oferecia condições de cuidado, e posteriormente passaram à guarda do casal de pastores, acompanhado por órgãos de proteção à infância. Relatos do irmão mais velho indicam que as crianças eram agredidas com mangueira, ripa, cinturão e obrigadas a ficar de joelhos em brita, tanto pelos tios quanto por primos mais velhos, configurando um quadro de violência prolongada.
Em novembro de 2015, Yasmin foi levada já sem vida à UPA do 2º Distrito de Rio Branco, com múltiplas lesões recentes e antigas, sem que o casal apresentasse qualquer comprovação de acompanhamento médico prévio, o que reforçou, para a Justiça, a omissão e os maus-tratos. A defesa sustenta que a menina teria se machucado ao cair enquanto brincava e que também sofria agressões do irmão de 10 anos, mas o Tribunal considerou as provas suficientes para manter a condenação e concluiu que os tios, como guardiões, falharam no dever de proteger a criança.

