Publicidade

Justiça arquiva maior investigação da história do PCC e absolve 175 réus, incluse Marcola

quarta-feira, dezembro 10, 2025



A 2ª Vara de Presidente Prudente declarou, em 2 de dezembro, a prescrição da pretensão punitiva no processo que reunia o maior dossiê já produzido contra o PCC, extinguindo a punibilidade de todos os 175 réus, entre eles Marcola. A ação, apresentada em 2013 com base em milhares de interceptações telefônicas, relatórios, documentos e apreensões de armas e drogas, foi descrita por membros do Gaeco como o maior mapeamento da história do crime organizado no Brasil. Com o reconhecimento de que o Estado perdeu o prazo para punir, a Justiça deu fim definitivo ao caso sem quaisquer instruções.​

O dossiê traçou um raio-X inédito da estrutura da facção paulista, detalhando a cadeia de comando, a distribuição de funções e a atuação da cúpula mesmo a partir de dentro do sistema prisional. As provas reunidas apontaram o controle do PCC sobre o tráfico de drogas e armas em pelo menos 22 estados brasileiros, além de operações na Bolívia e no Paraguai, com faturamento mensal estimado em cerca de R$ 10 milhões na época. O material também registrava planos de homicídios, resgates e atentados, evidenciando a atuação permanente da organização.​

Com base nesse conjunto probatório, o MP solicita a prisão preventiva de 112 acusados ​​e a inclusão de 32 líderes no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), em uma tentativa de isolar a cúpula e enfraquecer o comando sobre a rede criminosa. A prescrição do processo, entretanto, esvaziou essas pretensões e transformou o caso em símbolo de morosidade judicial e falhas de perseguição penal em crimes de alta complexidade. A decisão, embora ampliada na legislação, reacendeu o debate sobre a capacidade do sistema de Justiça de responder de forma eficaz ao crime organizado.