Acre tem taxa de internação de jovens por saúde mental acima da média nacional ,aponta estudo
A taxa de internação de jovens de 15 a 29 anos por motivos relacionados à saúde mental no Acre supera a média nacional, de acordo com pesquisa divulgada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Entre os mais de 510 mil atendimentos hospitalares a esse público no estado, mais de 32 mil foram motivados por transtornos mentais e comportamentais, o que representa cerca de 6% do total. No período analisado, o Acre registrou índice de 671 internações a cada 100 mil habitantes, acima da taxa brasileira, de 579,5.
O levantamento aponta ainda que, mesmo com o aumento da demanda por internações, os jovens são os que menos procuram a Atenção Primária à Saúde (APS), considerada a principal porta de entrada do SUS para cuidados em saúde mental. Para especialistas da Fiocruz, fatores como rotina de trabalho e exposição a violências e acidentes contribuem para que esse público adie a busca por ajuda, alimentando a ideia de que é preciso "aguentar" situações extremas por serem jovens. A baixa adesão ao cuidado precoce acaba favorecendo quadros mais graves, que muitas vezes exigem internação hospitalar.
Os dados também revelam uma desigualdade de gênero importante: entre homens de 25 a 29 anos no Acre, a taxa de internação por transtornos mentais chegou a 1.737,5 por 100 mil habitantes, enquanto entre mulheres na mesma faixa etária o índice foi de 264,8. Em todas as idades a partir dos 15 anos, as taxas masculinas se mantêm superiores às femininas, reforçando a necessidade de políticas específicas para o público jovem e, em especial, para homens.

