Vereador afirma que laudo da Ricco expõe sucateamento do transporte e das ruas de Rio Branco
Em um dos pronunciamentos mais duros da semana na Câmara de Rio Branco, o vereador André Kamai (PT) afirmou que o laudo da Ricco Transportes sobre o ônibus que teve o eixo arrancado na Via Verde acabou se transformando em uma “confissão involuntária” da empresa. O documento aponta que a ruptura das peças ocorreu em razão de “degradação microscópica do aço acelerada pelas condições severas de tráfego”, conclusão que, na avaliação do parlamentar, transfere a responsabilidade para a situação das vias da capital. “A Ricco está dizendo que a culpa é dos buracos da cidade, que a culpa é do prefeito”, resumiu Kamai, ao relacionar o problema mecânico à falta de manutenção urbana.
Kamai acusou a empresa de tentar se esquivar das críticas sobre o uso de veículos sucateados e, ao mesmo tempo, expor a precariedade da gestão municipal. Segundo ele, ao atribuir o incidente às condições da pista, a concessionária admite que opera em um ambiente onde a infraestrutura viária contribui para o desgaste da frota. O vereador também ironizou a proximidade entre a empresa e o Executivo, chamando o prefeito de “advogado da Ricco” e afirmando que, ao tentar se afastar da responsabilidade pelo estado dos ônibus, ambos “caem nos buracos” que afetam diariamente usuários e trabalhadores do sistema.
Para o parlamentar, é “inadmissível” que a Prefeitura mantenha altos gastos com eventos, tecnologias e ornamentação enquanto episódios de quebra de ônibus se repetem e colocam vidas em risco. Kamai reforçou que o laudo da própria empresa revela um quadro de sucateamento não apenas do transporte coletivo, mas da cidade como um todo, ao atribuir o problema a condições severas de tráfego sem apontar soluções estruturais. Ele pediu atenção redobrada dos vereadores na análise do orçamento da próxima semana, para barrar despesas que considera supérfluas, e encerrou o discurso com um recado ao prefeito, a quem chamou de advogado da Ricco, dizendo enviar sua “solidariedade” por ver o gestor exposto por uma empresa que considera “amiga” da atual administração.
