Tarauacá se despede do Dr. Tomé, médico islandês que dedicou sua vida ao povo acreano
Tarauacá amanheceu em luto nesta segunda-feira (10) com a notícia do falecimento do médico Dr. Thomas Henry Geddis, carinhosamente conhecido como Dr. Tomé. O anúncio foi feito pelo Instituto Dr. Tomé, que informou que ele faleceu às 20h41 (horário da Irlanda do Norte), em sua residência, aos 89 anos.
Em comunicado, o Instituto expressou profundo pesar e pediu orações pelos familiares, amigos e pela esposa, missionária Lucimar, para que encontrem consolo e paz neste momento de dor.
Natural da Islândia, Dr. Tomé chegou ao Acre em 1967 e logo se tornou um dos nomes mais queridos e respeitados de Tarauacá. Em uma época marcada pela escassez de recursos e estrutura, ele exerceu a medicina com coragem, fé e dedicação. Foram 18 anos de serviço ininterrupto, entre 1967 e 1985, em meio a desafios que testavam os limites da profissão.
Dr. Tomé se tornou uma verdadeira lenda viva em Tarauacá. Em uma cidade onde por muito tempo foi o único médico, ele se locomovia de bicicleta — a mesma que trouxe de seu país — para visitar pacientes em casa, atravessando ruas cheias de lama e enfrentando noites sem sono. Sua bicicleta se tornou símbolo de confiança e respeito: ninguém ousava tocá-la, tamanha era a admiração que a população sentia por ele.
Mesmo longe, vivendo seus últimos anos na Irlanda do Norte, Dr. Tomé nunca deixou de falar com emoção sobre o Acre e o povo que aprendeu a amar. Guardava com carinho a lembrança da Maternidade que leva o nome de sua esposa, homenagem concedida pelo ex-prefeito Jasone, gesto que ele sempre mencionava com gratidão.
Hoje, Tarauacá se despede não apenas de um médico, mas de um símbolo de humanidade, fé e amor ao próximo.
Dr. Tomé será lembrado como o homem que cuidou de corpos e almas, que fez da medicina um ato de compaixão e que marcou para sempre a história do Acre.
