STF determina investigação da PF sobre deputado do Acre por suspeita de desvio de emenda
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou neste domingo (23) que a Polícia Federal investigue o deputado federal Zezinho Barbary (PP-AC) por possível desvio de emendas parlamentares voltadas à regularização do Ramal Barbary, que atravessa a terra indígena Jaminawa do Igarapé Preto, em Porto Walter (AC). A decisão ocorre após denúncias formalizadas por entidades de transparência, que apontam falta de rastreabilidade nos recursos e sugerem que parte dos valores teria beneficiado membros da família do parlamentar, além de supostas violações de normas ambientais durante a execução das obras.
A controvérsia sobre a estrada é antiga. Em 2023, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Acre (MPAC) obtiveram decisão judicial para suspender as atividades no trecho e bloquear o acesso à via. Entre os argumentos apresentados estavam o licenciamento ambiental concedido sem a participação de órgãos federais competentes e a ausência de consulta prévia às comunidades indígenas, conforme previsto em convenções internacionais ratificadas pelo Brasil. Agora, o STF autoriza intensificação dos inquéritos e apuração detalhada de possíveis crimes relacionados ao destino das emendas e impactos ambientais.
Em nota enviada à imprensa, Zezinho Barbary negou qualquer irregularidade, esclarecendo que a única emenda de sua autoria relacionada ao ramal foi destinada ao governo do Acre (DERACRE) no valor de R$ 200 mil, exclusivamente para a elaboração de um plano de mitigação técnico-ambiental, etapa obrigatória segundo a legislação. O deputado defendeu que o estudo é indispensável para a futura abertura da estrada, ressaltando que não há outros repasses direcionados à obra e reafirmando o compromisso com a legalidade e transparência dos seus atos parlamentares.

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