Mortes infantis por doenças evitáveis disparam e acendem alerta sobre vacinação no Brasil
Dados preliminares do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), divulgados pelo Ministério da Saúde, revelam que 48 crianças menores de cinco anos morreram em 2024 por doenças que poderiam ser prevenidas com vacinas. O número representa um crescimento de 220% em relação a 2021, quando foram registrados 15 óbitos. A principal causa foi a coqueluche, responsável por 21 mortes, seguida por tuberculose do sistema nervoso (13) e meningite bacteriana (9). Especialistas apontam que o aumento coincide com anos de queda na cobertura vacinal, agravada por desinformação e falta de imunizantes em períodos críticos.
O Observatório de Saúde na Infância identificou mais de 2.150 casos de coqueluche em crianças de até cinco anos em 2024, um salto de 1.200% em relação à média dos cinco anos anteriores. A doença, causada pela bactéria Bordetella pertussis, pode ser evitada com a vacina pentavalente, aplicada nos primeiros meses de vida, e com a DTPa, recomendada para gestantes. Segundo Juarez Cunha, da Sociedade Brasileira de Imunizações, a baixa adesão às campanhas de vacinação e a cobertura insuficiente entre gestantes são fatores decisivos para o cenário atual. Ele reforça que a imunização é a principal estratégia para proteger os recém-nascidos.
Apesar de avanços recentes, os índices de vacinação ainda estão abaixo das metas. Em 2024, apenas 50% das gestantes foram imunizadas contra influenza, e a cobertura da BCG, que previne formas graves de tuberculose, sofreu com períodos de escassez. Curiosamente, os estados do Sul e Sudeste, que historicamente registram menos mortes por causas evitáveis, lideraram os óbitos por falta de vacinação infantil: foram 12 e 16 casos, respectivamente.

