Ex-presidente diz que teve alucinação ao tentar danificar tornozeleira eletrônica
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| Foto: Reprodução |
Durante audiência de custódia realizada neste domingo (23), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que tentou danificar sua tornozeleira eletrônica após sofrer um surto provocado pela interação de medicamentos. Segundo relato à juíza Luciana Yuki Fugishita Sorrentino, auxiliar do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro disse ter usado um ferro de solda no equipamento por volta da meia-noite de sexta-feira (21), mas interrompeu a ação ao “cair na razão” e comunicou os agentes responsáveis por sua custódia. Ele alegou que acreditava haver uma escuta no dispositivo, o que classificou como “alucinação” decorrente do uso de Pregabalina e Sertralina, receitados por médicos diferentes.
O ex-presidente negou qualquer intenção de fuga e afirmou que não houve rompimento da cinta da tornozeleira. Bolsonaro explicou que estava acompanhado da filha, do irmão mais velho e de um assessor em sua residência, mas que ninguém percebeu a tentativa, pois todos dormiam. A defesa sustenta que o episódio não configura violação deliberada e atribui o comportamento à interação inadequada entre os medicamentos, que teria causado noites mal dormidas e confusão mental. Em vídeo divulgado pela Polícia Federal, Bolsonaro aparece admitindo ter aplicado calor no equipamento, mas inicialmente justificou o dano como resultado de um impacto contra uma escada.
Após a audiência, a prisão preventiva foi mantida por determinação do ministro Alexandre de Moraes, que apontou risco à ordem pública e possibilidade de fuga, citando também a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro nas proximidades do condomínio do pai. A Primeira Turma do STF deve analisar nesta segunda-feira (24) se confirma a decisão. Enquanto isso, Bolsonaro permanece na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde recebeu visita da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e passou por avaliação médica, que indicou quadro de confusão mental e recomendou suspensão imediata da Pregabalina.

