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Escola Mauricila Sant'Ana recebe o básico após duas décadas e prefeitura vende como "visão de futuro"

quinta-feira, novembro 27, 2025

 


A reinauguração da Escola Municipal Mauricila Sant'Ana, em Benfica, foi apresentada pela gestão Bocalom como símbolo de respeito à comunidade rural, mas expõe mais a urgência do que um suposto avanço estrutural da rede. Depois de 22 anos de funcionamento, só agora a unidade alcança o credenciamento e as condições mínimas exigidas pelos órgãos de educação, o que levanta a pergunta incômoda: por que essa regularização demorou tanto em uma cidade que, segundo o próprio discurso oficial, quer ser referência nacional em ensino público? Enquanto a prefeitura celebra a quarta escola credenciada, o cenário revela uma rede que por anos conviveu com estruturas aquém do que a legislação já exigia.​

O investimento de R$ 873 mil em reformas, banheiros acessíveis, adequações de cozinha e depósitos, playground, sistema contra incêndio e até paisagismo é divulgado como grande feito, mas na prática representa, em grande parte, a correção de uma dívida histórica com alunos e profissionais da zona rural. Quando governo algum cumpre o básico (segurança, acessibilidade, estrutura mínima), não se trata de "visão de futuro", e sim de atraso acumulado que agora é reembalado em solenidades e frases de efeito. A narrativa de que a escola é "símbolo de respeito" contrasta com a realidade de duas décadas em que essa mesma comunidade foi obrigada a estudar em um prédio sem essas garantias, o que desmonta parte do discurso triunfalista da gestão.​

Ao anunciar meta de seis escolas credenciadas até o fim do ano, prefeitura e Secretaria de Educação preferem enfatizar o número de entregas a discutir com transparência quantas unidades ainda seguem sem condições plenas, sem laudo, sem acessibilidade e sem a mesma atenção midiática. Transformar reformas tardias em "marco histórico" é uma estratégia política conhecida: quando a população está há anos convivendo com escolas precárias, qualquer obra é vendida como grande conquista. Se a educação é tratada como prioridade real, o que falta explicar não é o valor gasto em uma escola, mas o que foi feito, ou deixado de fazer, para que tantas outras ainda não tenham passado pelo mesmo padrão mínimo de dignidade.