Eduardo Bolsonaro se torna réu por decisão unânime do STF
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| Foto: Reprodução |
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, neste sábado (15), receber por unanimidade a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A acusação aponta que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro teria atuado nos Estados Unidos para pressionar pela imposição de tarifas sobre exportações brasileiras e pela aplicação de sanções econômicas contra ministros do STF e autoridades do governo federal. O voto da ministra Cármen Lúcia consolidou a unanimidade, após os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin já terem se manifestado favoravelmente à abertura do processo.
Segundo a denúncia, Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Baptista Figueiredo, teriam articulado medidas para criar um ambiente de instabilidade política e diplomática, com ameaças de represálias internacionais. De acordo com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, os acusados se apresentaram como intermediários capazes de evitar sanções, condicionando essa atuação à não condenação criminal de Jair Bolsonaro, já sentenciado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. A estratégia, segundo a PGR, buscava interferir diretamente no andamento do processo que levou à condenação do ex-presidente.
Com a decisão, Eduardo Bolsonaro passa à condição de réu e será submetido a uma ação penal, na qual o mérito da acusação será analisado. O julgamento poderá resultar em absolvição ou condenação, dependendo das provas apresentadas. A denúncia contra Paulo Figueiredo foi desmembrada e será apreciada separadamente pela mesma Turma. O caso marca mais um capítulo da crise política envolvendo aliados do ex-presidente e reforça a tensão entre setores bolsonaristas e instituições brasileiras, em meio a um cenário de repercussão internacional e debates sobre soberania e relações diplomáticas.

