Desembargador condenado a pagar R$ 1,5 milhão por litigância de má-fé em ação de terras no Acre
O desembargador Evandro Reimão dos Reis, do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), foi condenado pela juíza federal Diana Maria Wanderlei, em Brasília, ao pagamento de R$ 1,5 milhão por litigância de má-fé. A decisão aponta que o magistrado utilizou uma ação popular – instrumento jurídico voltado à defesa do interesse coletivo – para fins pessoais, misturando questões familiares e financeiras, incluindo perseguição à ex-mulher e pedidos milionários de indenização para si. O processo envolvia disputa de terras devolutas da União no Acre e tinha valor estimado de R$ 150 milhões.
Segundo a sentença, Reimão agiu de modo temerário, apresentando incidentes infundados, tentando intimidar outros magistrados e recorrendo a acusações pessoais para beneficiar interesses próprios. A juíza relatou ainda comportamentos agressivos, acusações de sexismo e práticas discriminatórias ao longo do trâmite. O caso foi encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Conselho da Justiça Federal para avaliação disciplinar, e a defesa de Reimão não havia se manifestado até a publicação da decisão.
A disputa judicial ganhou contornos ainda mais graves ao envolver acusações cruzadas entre os magistrados, processos administrativos no CNJ e relatos de conduta inadequada do desembargador, como acúmulo de processos e comportamento explosivo. Reimão, já afastado preventivamente de suas funções pelo CNJ, sustenta ser vítima de perseguição institucional e questiona a legalidade da correição e dos processos contra ele.

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