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Acre vira elo estratégico entre Colômbia e Brasil no tráfico de drogas

segunda-feira, novembro 03, 2025

 

O estado do Acre tornou-se peça-chave nas rotas internacionais do tráfico de drogas, segundo relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A maconha tipo skunk, cultivada em Cauca, na Colômbia, atravessa o Rio Putumayo e entra no Brasil pela região amazônica, alcançando os estados do Amazonas e Acre. A droga, de alto teor de THC, é destinada ao mercado brasileiro, especialmente às regiões Sul e Sudeste, onde há maior demanda por produtos de valor agregado. Facções como o Comando Vermelho (CV) operam diretamente com grupos armados colombianos, consolidando acordos que facilitam o fluxo de entorpecentes e fortalecem sua presença na fronteira.

O relatório, elaborado em parceria com a Direção Nacional de Inteligência da Colômbia (DNI), revela que o CV busca ampliar sua rede de fornecedores na Colômbia e no Peru, utilizando o Rio Solimões como corredor logístico. Essa estratégia garante vantagem sobre rivais como o Primeiro Comando da Capital (PCC), intensificando a disputa territorial no Acre. As forças de segurança locais apontam que o aumento da violência na região está diretamente ligado ao conflito entre facções pelo controle das rotas de entrada da droga. O cenário evidencia uma dinâmica transnacional que exige atenção das autoridades brasileiras e cooperação internacional.

Além dos impactos na segurança pública, o avanço do narcotráfico na Amazônia tem gerado consequências sociais e ambientais severas. Povos originários e comunidades ribeirinhas são os mais afetados pela degradação provocada pelas disputas armadas e pela presença de organizações criminosas. A chamada Amazônia Compartilhada, que abrange áreas de fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, tornou-se palco de negociações diretas entre facções brasileiras e produtores estrangeiros. Diante da complexidade do problema, especialistas defendem políticas específicas para a região, com foco em inteligência, desenvolvimento social e proteção dos territórios vulneráveis.