Acre registra mais de 9 mil ocorrências com armas de fogo em cinco anos
Dados do painel de registros do Ministério Público do Acre (MPAC) revelam um cenário preocupante sobre o uso e circulação de armas de fogo no estado. Entre janeiro de 2020 e outubro de 2025, foram contabilizadas 9.001 ocorrências envolvendo porte ou posse ilegal, disparos, armas encontradas e simulacros. Apesar da expressividade dos números, apenas 2.607 armas foram efetivamente apreendidas no período, o que representa menos de 30% dos registros. A discrepância entre os casos investigados e os armamentos retirados de circulação levanta questionamentos sobre a eficácia das ações de combate à criminalidade armada.
A série histórica mostra crescimento contínuo nas ocorrências até 2023, com queda significativa em 2024, quando os registros caíram para 1.217. No entanto, os dados parciais de 2025 indicam uma possível retomada, com 969 casos até outubro, sendo este o mês com maior número de notificações no ano. Rio Branco concentra a maior parte das ocorrências, com 64,4% dos registros em 2025, totalizando 624 casos. Especialistas apontam que a redução temporária pode estar ligada a operações policiais e campanhas de desarmamento, embora a persistência dos números sugira desafios estruturais na repressão ao uso ilegal de armas.
Entre os armamentos apreendidos, os calibres mais comuns foram .38, .22 e .28, com destaque para a presença de armas de uso restrito. O MPAC registrou quatro fuzis e 13 metralhadoras, além de 13 granadas, sendo 12 localizadas em Rio Branco. A presença desses equipamentos em áreas urbanas reforça a necessidade de estratégias mais eficazes para conter o avanço da criminalidade armada. A média anual de apreensões entre 2021 e 2025 ficou em torno de 520 armas, com tendência de queda.

