Sindicato ligado a irmão de Lula movimentou R$ 1,2 bilhão e é alvo da CPMI do INSS
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| Foto: Reprodução |
O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), que tem como vice-presidente o Frei Chico, irmão do presidente Lula (PT), movimentou R$ 1,2 bilhão entre 2019 e 2025, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O documento aponta operações em espécie que somam R$ 6,5 milhões, além de repasses de R$ 8,2 milhões a empresas ligadas a familiares de dirigentes da entidade. As movimentações são consideradas complexas pelo órgão, devido à dificuldade de rastreamento da origem dos recursos.
O Sindnapi é uma das entidades que mais se beneficiaram dos descontos aplicados diretamente nos benefícios de aposentados. Entre 2020 e 2024, os valores repassados pelo INSS à entidade cresceram 564%, passando de R$ 23,2 milhões para R$ 154,7 milhões. A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou falhas na documentação dos associados, sem que o sindicato conseguisse comprovar a regularidade dos cadastros em amostra aleatória. Apesar disso, o Sindnapi não foi incluído na investigação interna do INSS, que mirou entidades fantasmas ou com suspeita de pagamento de propina.
As suspeitas contra o Sindnapi se somam às apurações da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em abril, que resultou na demissão do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e do ex-ministro Carlos Lupi. A CPMI já analisa requerimentos para convocar dirigentes e assessores jurídicos da entidade, como Tonia Galleti, apontada como próxima ao ex-ministro. O crescimento acelerado do número de filiados e o aumento expressivo do faturamento do sindicato entre 2021 e 2023 reforçam os indícios de irregularidades, que agora são alvo de investigação parlamentar e de órgãos de controle.

